Dra. Mariane Stahlberg – Dor Crônica e Medicina Endocanabinóide em Limeira – SP

INTRODUÇÃO

A Neuralgia Pós-Herpética (NPH) representa um desafio significativo no campo da dor crônica, surgindo frequentemente após o episódio agudo de herpes zoster. Esta condição dolorosa não apenas afeta a qualidade de vida dos pacientes, mas também requer um tratamento direcionado e especializado para ser eficazmente manejada.

Cerca de 20% dos indivíduos que sofrem de herpes zoster desenvolvem PHN, fazendo dela uma das formas mais comuns de dor neuropática.

Assim, o entendimento do quadro clínico da NPH é crucial para um diagnóstico adequado e a implementação de tratamentos que possam minimizar o impacto dessa condição crônica na qualidade de vida do paciente.

Por isso é essencial buscar ajuda especializada no cuidado de pacientes com a Neuralgia Pós-Herpética, como um especialista em dor crônica e de difícil controle, que avalia cada paciente de forma completa, personalizada e humanizada.

Sou a Dra. Mariane Stahlberg, médica especialista em Dor Crônica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e titulada pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Dra Mariane Stahlberg, especialista em Dor Crônica

Atuo com atenção exclusiva ao paciente, realizando consultas aprofundadas que consideram aspectos físicos, emocionais e sociais da dor.

Atendo em consultório particular na cidade de Limeira e região, além de ser médica colaboradora no grupo de dor no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

Meu objetivo é criar um plano terapêutico personalizado e eficaz, que devolva qualidade de vida ao paciente.

EPIDEMIOLOGIA DA NEURALGIA PÓS-HERPÉTICA (NPH)

A NPH é especialmente prevalente entre adultos com mais de 50 anos de idade. Este grupo etário representa a população mais afetada, uma vez que a incidência do herpes zoster e, consequentemente, da PHN, tende a aumentar com a idade.

Essa condição é mais frequentemente encontrada nos dermátomos torácicos, cervicais e do trigêmeo.

Existem várias condições e fatores que predispõem indivíduos ao desenvolvimento de PHN:

Episódio severo de herpes zoster – rash extenso e dor intensa durante a fase aguda

Idade – sistema imunológico tende a enfraquecer com o passar dos anos, aumentando a vulnerabilidade a infecções pelo vírus varicela zoster.

Sexo feminino

Doenças crônicas que impactam o sistema imunológico, como diabetes mellitus, infecções crônicas como hepatites e HIV e polineuropatias

Localização inicial das lesões de herpes zoster, como a Trigeminal (na face)

FISIOPATOLOGIA DA NPH:

A PHN é uma condição de dor crônica que ocorre por mais de 90 dias após uma infecção por Varicela zoster (VZV, vírus da varicela) e que está associada a alterações cutâneas em uma ou mais distribuições de nervos sensoriais.

A infecção pelo vírus varicela-zoster (VVZ) causa duas doenças clinicamente distintas: varicela (catapora) ou herpes zoster (cobreiro).

Ao ter contato com o VVZ pela primeira vez na vida, o paciente desenvolve uma doença chamada varicela, popularmente conhecida como catapora. Esse primeiro contágio pelo vírus ocorre habitualmente durante a infância.

Após 1 ou 2 semanas de sintomas, a catapora desaparece espontaneamente, mas o vírus varicela-zoster permanece escondido no nosso corpo, latente nos gânglios nervosos, particularmente nos gânglios da raiz dorsal e nos gânglios dos nervos cranianos.

Sendo assim, a NPH vai ocorrer como resultado da reativação do vírus varicela-zoster (o mesmo da Catapora).

Enquanto nosso sistema imunológico permanecer forte, ele conseguirá manter o vírus varicela-zoster “adormecido”.

A reativação deste vírus latente leva à replicação viral nos gânglios e subsequente propagação a partir desses gânglios através das vias nervosas sensoriais até a pele, ocasionando as erupções características de herpes zoster.

A lesão associada à NPH é multifacetada, envolvendo tanto a destruição direta dos tecidos neuronais causada pela replicação viral quanto a inflamação subsequente.

Esta combinação de destruição tecidual e inflamação resulta na excitação dos nociceptores e na sensibilização do corno dorsal da medula espinhal. Em pacientes que não desenvolvem NPH, observa-se menor dano tecidual e uma resolução mais rápida das alterações inflamatórias.

Entender os mecanismos fisiopatológicos da NPH é crucial para a avaliação e implementação de estratégias eficazes de manejo para minimizar seu impacto debilitante sobre a vida dos pacientes.

Herpes Zoster

SINAIS E SINTOMAS DA NPH

O quadro clínico da neuralgia pós-herpética (NPH) é caracterizado por:

Dor persistente, que permanece mesmo após a resolução das lesões cutâneas do herpes zoster

Dor contínua de grande intensidade

Dor intermitente em disparos semelhantes a choques elétricos

Sensação de queimação ou latejamento constante

Alterações sensoriais como parestesias (sensações anormais), disestesias (sensações desagradáveis e anormais), alodinia (dor aos estímulos não dolorosos) e hiperalgesia (aumento da sensibilidade à dor).

Alterações de cor e cicatrizes na pele nas áreas afetadas após a cicatrização do rash.

Os locais mais comumente afetados incluem os dermátomos torácicos, seguidos pela divisão oftálmica do nervo trigêmeo.

A suspeita de NPH deve ser levantada quando há uma história prévia de herpes zoster, seguida por dor persistente na mesma distribuição.

Dor na neuralgia pós herpética

EXISTE PREVENÇÃO PARA NPH?

Sim. A prevenção da neuralgia pós-herpética (NPH) através da vacinação contra a herpes zoster tem se mostrado uma estratégia eficaz, reduzindo significativamente a incidência dessa complicação dolorosa.

A vacinação contra o herpes zoster tem dois objetivos:

  1. Estimular a imunidade celular, reduzindo o risco de o paciente apresentar uma reativação do VVZ.
  2. Caso o paciente desenvolva herpes zoster, reduz o risco de desenvolver complicações, como a NPH, meningite ou lesão ocular pelo zoster.

Atualmente, a vacina contra o herpes zoster está indicada para os seguintes grupos:

  1. Qualquer pessoa a partir dos 50 anos, incluindo aqueles que já tiveram episódios prévios de herpes zoster
  2. A partir dos 18 anos, caso o paciente tenha alguma imunossupressão, seja por doença primária, doença adquirida ou por uso de medicação imunossupressora

Existem dois tipos de vacinas licenciadas para prevenção do herpes zoster

  • Zostavax: vacina mais antiga e mais barata, feita com vírus vivo atenuado. Dose única.
  • Shingrix: também chamada de vacina recombinante, mais nova, mais cara e mais eficaz. Ela não utiliza vírus vivo. Deve ser administrada em duas doses, sendo a segunda dose aplicada de dois a seis meses após a primeira.

Embora aprovadas e recomendadas em muitos calendários internacionais de imunização, no Brasil ela ainda não faz parte do calendário nacional de vacinação oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), estando disponível somente na rede privada. Assim, seu acesso pode ser limitado a pessoas que têm condições de pagar pelas vacinas particulares.

Vacina herpes zoster

DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS DA NPH

A neuralgia pós-herpética (NPH) apresenta diversos diagnósticos diferenciais, os quais podem compartilhar características clínicas, mas que têm causas distintas e requerem tratamentos específicos.

Dor Neuropática de Origem Radicular: Associada a patologias da coluna espinhal como hérnias de disco, a dor é frequentemente descrita como lancinante e segue a distribuição de um nervo específico correspondente à raiz nervosa comprimida.

Neuralgia do Trigêmeo: Caracteriza-se por episódios de dor lancinante e em choque, predominando em uma metade da face. Diferente da NPH, não está associada a lesões cutâneas e a dor é tipicamente mais intermitente, ocorrendo diversas vezes por dia. Sendo desencadeada por toques ou atividades como mastigar.

Neuralgia do Glossofaríngeo: Caracteriza-se por ataques de dor súbita e severa na área da garganta, tonsilas e língua, às vezes irradiando para o ouvido. É tipicamente desencadeada por ações como deglutição ou tosse.

Neuralgia do Nervo Intermédio: Também conhecida como neuralgia geniculada, resulta em dor paroxística profunda no ouvido, desencadeada por ruídos ou mudanças de temperatura. 

Neuropatias Induzidas por Infecções: Envolvem condições como a neuropatia associada ao HIV ou a neuropatia associada ao vírus da hepatite C.

Neuropatias Metabólicas, como a neuropatia diabética ou por deficiência de vitaminas: Embora a apresentação dolorosa possa ser semelhante, costuma ter uma distribuição simétrica, frequentemente nos pés e nas pernas.

Neuropatia Pós-cirúrgica: Pode ocorrer após lesão nervosa durante procedimentos cirúrgicos e dentários. A dor resultante tende a ser localizada na área da cirurgia e não segue a distribuição dermatomal típica da NPH.

Distúrbios da Articulação Temporomandibular (ATM):acompanhada de movimentos mandibulares restritos e estalido ou creptação durante a abertura ou fechamento da boca. A dor geralmente é mais difusa e contínua.

Síndrome de Dor Pós-Acidente Vascular Cerebral (AVC): A dor neuropática pós-AVC ocorre em áreas do corpo afetadas pelo AVC, mas, diferentemente da NPH, não há rash prévio e a dor está associada a outros sintomas neurológicos decorrentes do AVC.

Síndromes Complexas de Dor Regional: Assim como a NPH, essas condições envolvem dor intensa e sensibilização. No entanto, elas frequentemente incluem alterações autonômicas como mudança de temperatura, cor ou sudorese e ocorrem mais em extremidades distais.

Distinguir entre esses diagnósticos é crucial, uma vez que eles requerem diferentes abordagens terapêuticas. Além disso, a história clínica detalhada e a avaliação neurológica cuidadosa são essenciais para o diagnóstico preciso e o manejo eficaz.

TRATAMENTOS DA NEURALGIA PÓS-HERPÉTICA

O tratamento da neuralgia pós-herpética (NPH) é multidimensional e visa aliviar a dor persistente e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Este manejo envolve o uso de farmacoterapia, terapias tópicas, intervenções não farmacológicas e, em casos refratários, opções cirúrgicas.

Tratamento farmacológico:

  • Anticonvulsivantes: amplamente utilizados devido à sua eficácia na redução da dor neuropática, modulando os canais de cálcio nos neurônios e diminuindo a liberação de neurotransmissores excitatórios.
  • Antidepressivos tricíclicos: utilizados devido à sua capacidade de aumentar a disponibilidade de neurotransmissores que modulam a dor.
  • Antidepressivos duais: também aumentam os neurotransmissores anti-nociceptivos
  • Opióides: utilizados quando dor intensa

Cremes tópicos:

  • Capsaicina: promovem dessensibilização dos receptores de dor na pele 
  • Lidocaína: oferece anestesia local, aliviando a dor sem efeitos sistêmicos significativos.

 Intervenções cirúrgicas:casos refratários a outros tratamentos

Toxina Botulínica: tem mostrado benefícios em estudos para o tratamento da NPH, oferecendo alívio da dor ao bloquearem a liberação de neurotransmissores na junção neuromuscular.Terapias Não-Farmacológicas:A estimulação elétrica transcutânea do nervo (TENS) e a estimulação da medula espinhal são abordagens terapêuticas não invasivas que têm mostrado eficácia em alguns pacientes.

Conforme a gravidade e a resposta do paciente aos tratamentos convencionais, a escolha do tratamento deve ser personalizada e frequentemente requer uma combinação de múltiplas estratégias terapêuticas.

O manejo adequado da NPH deve ser discutido com um profissional de saúde qualificado, que pode adaptar as abordagens de tratamento às necessidades individuais do paciente.

USO DE FITOCANABINÓIDES NA NPH:

Os fitocanabinoides têm se destacado como uma abordagem promissora no tratamento da neuralgia pós-herpética (NPH), particularmente devido às suas propriedades analgésicas.

Os canabinoides são compostos derivados da planta Cannabis sativa, cujos principais compostos ativos são o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD).

Fitocanabinoide no tratamento de neuralgia

Estes compostos interagem com o sistema endocanabinoide do corpo, que é um sistema de sinalização celular envolvido na modulação do humor, memória, apetite e, crucialmente, da dor.

O sistema endocanabinoide consiste em receptores CB1 e CB2 encontrados no sistema nervoso central e periférico. A ativação destes receptores pode inibir a liberação de neurotransmissores e reduzir a excitação neural, desempenhando um papel essencial no alívio da dor.

No contexto da NPH, o uso de canabinoides pode oferecer uma redução significativa da dor neuropática, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. As terapias à base de cannabis demonstraram benefícios na dor neuropática, com estudos indicando que tanto os extratos orais quanto tópicos podem ser eficazes.

Resultados de estudos clínicos mostram que os canabinoides podem oferecer alívio da dor com efeitos adversos mínimos em comparação a tratamentos tradicionais para a dor neuropática.

No entanto, deve-se considerar que, embora os canabinoides sejam promissores, seu uso ainda necessita de mais pesquisa para otimização de dosagem e minimização de efeitos colaterais recreacionais indesejados.

Integrar essa abordagem em um plano de tratamento global liderado por um especialista em dor crônica pode amplificar os benefícios no manejo da NPH.

PROGNÓSTICO DA NPH:

O prognóstico da neuralgia pós-herpética varia bastante entre os indivíduos e é influenciado por fatores como idade, severidade dos sintomas iniciais do herpes zoster e a eficácia do tratamento inicial.

Estudos indicam que aproximadamente 20% dos pacientes que contrai herpes zoster continuam a experimentar dor seis meses após o surgimento do rash, com essa porcentagem aumentando em populações mais velhas. Em particular, a persistência da dor após seis meses é observada em cerca de 48% dos casos e 20% ainda experimentam dor após um ano.

O tratamento precoce e adequado pode melhorar significativamente o prognóstico, reduzindo a duração e a intensidade dos sintomas.

Intervenções como o uso de antiviraisadministrados durante a fase aguda do herpes zoster têm mostrado reduzir o risco de desenvolver NPH.

Além disso, a vacinaçãoeficaz contra a herpes zoster tem potencial para prevenir a incidência da doença e, consequentemente, diminuir os casos de NPH.

É imprescindível que pacientes com NPH sejam acompanhados por profissionais especializados em dor crônica, que possam guiar um tratamento individualizado e integral, visando o alívio da dor e a melhoria da qualidade de vida.

CONCLUSÃO

A neuralgia pós-herpética (NPH) é uma condição complexa que surge como uma complicação da reativação do vírus varicela-zoster, manifestando-se após o episódio de herpes zoster.

Caracteriza-se por dor crônica persistente, localizada frequentemente nos dermátomos torácicos, cervicais e do trigêmeo, mesmo após a cura das lesões cutâneas.

A NPH é mais comum em indivíduos com mais de 50 anos, e outros fatores de risco incluem a gravidade do rash inicial e a presença de dor aguda intensa durante o herpes zoster.

O diagnóstico diferencial é essencial, diferenciando NPH de outras condições como neuralgias faciais e neuropatias metabólicas.

Um manejo eficaz da NPH exige a expertise de um profissional especializado em dor crônica, capaz de avaliar detalhadamente cada caso e ajustar as intervenções terapêuticas conforme necessário.

Como especialista em dor crônica, minha prática se concentra em proporcionar estratégias terapêuticas personalizadas que consideram o prognóstico de cada paciente, buscando sempre maximizar os resultados terapêuticos e auxiliar na recuperação funcional.

Ser capaz de oferecer uma esperança fundamentada e caminhos claros para o alívio é a essência do meu trabalho especializado em dor.

Se precisar de mais informações ou outros ajustes, estou aqui para ajudar!

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